Maria de Fátima Silva: A heroína de Campo Redondo e Santa Cruz

Por João Mário Costa e Wenderson Micael Campos

Telefonista salvou mais de 5 mil pessoas ao alertar população sobre estouro de açude

Maria de Fátima exibe com orgulho o quadro que diz “Heroína de Campo Redondo e Santa Cruz (Foto: Wenderson Micael Campos)

O ano era 1981. 1º de abril. Uma tragédia viria acontecer naquele dia. Depois de uma semana chuvosa, o açude Mãe D’agua não suportou a força da água e rompeu, levando consigo tudo o que encontrou pela frente. O fatídico dia viria ser considerado a maior catástrofe natural da história da localidade, que une as cidades de Campo Redondo e Santa Cruz, na região do Trairi do estado.

No meio de todo esse caos, um importante personagem surge como heroína da história: a então telefonista Maria de Fátima Silva. Na época, Fátima trabalhava na central telefônica de Campo Redondo. Em mais um dia trabalho, ela foi avisada sobre o rompimento do açude e teve a importante missão de comunicar que a inundação chegaria à cidade de Santa Cruz. O que ela não esperava era que a primeira ligação, feita ao então secretário do prefeito, não surtiria efeito algum. Mesmo com o aviso, a população não acreditou na informação, tendo em vista que era 1º de abril, conhecido como “dia da mentira”. Dona Fátima, entretanto, não desistiu da sua missão de salvar milhares de vidas.

Ela resolveu ligar, então, para o monsenhor Raimundo, que confirmou a informação aos moradores, que puderam escapar do caminho da água, que viria atingir o açude de Santa Cruz, fazendo com que ele rompesse. “Liguei para o monsenhor Raimundo. Eles saíram avisando no carro de som, dizendo que a telefonista tinha ligado, que a chuva estava muito forte, o açude poderia ir embora e que eles se afastassem da cidade”, lembra Maria de Fátima, hoje com 60 anos. A ex-telefonista relembra com satisfação do seu feito.

A heroína de Campo Redondo e Santa Cruz, como ela gosta de ser reconhecida e como fez questão de nos mostrar que está escrito em um quadro que ganhou, conta que, depois do ocorrido, ficou muito feliz por ter salvo tanta gente, apesar de toda tristeza dos moradores e destruição das cidades.

Maria de Fátima recebeu diversas homenagens pelo seu grande feito, os quais exibe com orgulho, como a homenagem oferecida pelo então governador da época, Lavosier Maia, e o título de cidadã Santa-Cruzense, recebido em maio de 2016.

Parte da ponte de Campo Redondo que foi arrastada pela enxurrada
(Foto: Wenderson Micael Campos)

O AVC fez com que a memória de Maria de Fátima parasse com acontecimentos vividos por ela naquele dia, assim também permanece parte da antiga ponte, símbolo da tragédia, que se destaca na paisagem, após ter sido arrastada pelas águas. Lembranças que o tempo e as demais circunstâncias não foram capazes de apagar.

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